Apesar dos apelos dos deputados que integram a bancada do PT na Assembleia Legislativa, a base aliada do governo aprovou ontem "moção de repúdio" ao ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) devido a agressões verbais aos produtores rurais.
De autoria do deputado estadual Antônio Carlos Arroyo (PR), a moção foi aprovada com folga pelo plenário da Casa e nem o fato de Minc fazer parte do governo do presidente Lula – cuja base é formada por maioria de parlamentares petistas e peemedebistas – impediu o constrangimento.
Há dias, durante discurso, o ministro do Meio Ambiente disparou críticas contundentes dizendo que a bancada ruralista é representada pelos médios e grandes produtores vigaristas.
Arroyo usou a tribuna para convencer os colegas de que o requerimento de sua autoria deveria ser aprovado, destacando que o ministro desrespeitou os produtores.
Ao fazer uso da tribuna para encaminhar a matéria, o deputado estadual Zé Teixeira (DEM), que representa os produtores rurais na Assembleia, reforçou o contra-ataque que havia feita há duas semanas, lembrando que a classe ruralista é a que mais gera empregos, que mais produz e é responsável por 1/3 do PIB (Produto Interno Bruto) do País. Portanto, não merecia tais ofensas.
"Talvez, se nós tivéssemos um presidente que ao menos divulgasse uma nota de apoio à classe que mais produz neste País, seria diferente. Agora, eu como produtor, não me senti atingido e os produtores não deveriam vestir a carapuça", sugeriu, ao lamentar a atitude do ministro.
Zé Teixeira criticou o fato de os órgãos federais, como o Ibama, não funcionarem como deveriam, lembrando que a repartição tem servido apenas para "fabricar" multas sem necessidade.
Ele também protestou quanto à falta de uma política agrícola austera, que realmente venha beneficiar o trabalhador do campo, observando que ainda assim os produtores têm conseguido elevar a produção, contribuindo, de certa forma, para colocar alimento na mesa da população.
As lamentações dos petistas Amarildo Cruz e Pedro Teruel foram em vão. Eles até que tentaram impedir tamanho constrangimento, argumentando que o ministro foi infeliz em suas colocações, mas não tinha a intenção de generalizar, ofendendo os produtores.

Leia mais…

AÇÃO
Por causa das críticas, Minc foi alvo de uma ação da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), que o acusa de crime de responsabilidade por ter chamado os ruralistas de "vigaristas" e dito que eles fingem defender a agricultura familiar, no dia 27 de maio durante reunião com a Contag (Confederação dos Trabalhadores na Agricultura).
A denúncia, protocolada pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA, na Procuradoria Geral da República, recebeu manifestação favorável de Zé Teixeira, que também elogiou o gesto do senador democrata Ronaldo Caiado (GO), que usou a tribuna do Senado para protestar contra as palavras do ministro do Meio Ambiente.
MOÇÃO
A moção de apoio foi assinada por vários parlamentares. "Presume-se que, pelo significado da ofensa, sua excelência ávida de se passar por "bonzinho", não se apercebeu da gravidade de suas afirmações, demonstrando que, além de um posicionamento incompatível com o elevado cargo que ocupa, não tem pelo preparo próprio a noção de responsabilidade que é exigida para um Ministério de Estado", diz trecho do documento.
Ainda de acordo com a moção, "ofensas genéricas têm o condão de trazer consigo, o ranço ideológico de pessoas despreparadas para o convívio democrático".
Por fim, o texto da moção de repúdio arremata: "os produtores rurais existentes no país, em sua maioria, são os responsáveis pela produção vitoriosa de alimentos, bem como, de parte ponderável da exportação, gerando divisas tão importantes para a recuperação econômica do País. Sua excelência, o ministro Carlos Minc, como pessoa inteligente, deveria ponderar suas palavras e atos, para não se tornar uma pessoa folclórica no aspecto negativo do termo".

Fonte: Douradosagora

Sem mensagens relacionadas.