Dieta empobrecida e sedentarismo em alta prenunciam aumento de diabetes e doenças cardiovasculares

Comida Saúdavel vs Fast Food O feijão mantém seu posto de gênero alimentício mais popular do país, na companhia constante do arroz. Dois terços dos brasileiros -65,8%- ainda o consomem pelo menos cinco vezes por semana. Há três anos, porém, a parcela era maior: 71,9%.
A redução de seis pontos percentuais em intervalo tão curto sugere que se trata de uma mudança mais duradoura nos hábitos alimentares -e não de uma simples flutuação estatística.
O levantamento realizado pelo Ministério da Saúde com 54.367 pessoas, por outro lado, constatou um aumento de 29,1% para 30,4% do grupo dos que consomem de modo regular frutas e hortaliças. Tais vegetais são identificados como símbolo maior da alimentação saudável.
Ocorre que o feijão também constitui ingrediente importante para uma dieta equilibrada, como fonte relativamente barata de fibras e proteínas. A queda na sua ingestão não foi compensada pelo aumento de frutas e hortaliças, de apenas 1,3 ponto percentual; além disso, a proporção dos que delas consomem as cinco porções diárias recomendadas é ainda modesta, 18,9% (embora tenha saído de 7,1% em 2006).
A explicação mais plausível, além do custo diferenciado dos gêneros alimentícios, está nas limitações impostas pela vida urbana, num país em que mais de 80% da população mora nas cidades, sobretudo em metrópoles problemáticas como São Paulo.
Sujeitos a jornadas amplificadas pelo deslocamento no trânsito, os cidadãos recorrem a alimentos industrializados. Mais fáceis e rápidos para preparar, muitas vezes têm valor nutricional insatisfatório.
As escassas horas de descanso e lazer, quando não dedicadas ao sono, terminam despendidas diante do computador ou da TV. O estudo ministerial verificou que subiu de 13,2% para 16,4% o número dos sedentários totais, aqueles que não praticam modalidade alguma de exercício físico.
Não é preciso ser especialista para concluir daí que se encontra em gestação uma epidemia de obesidade como a que assola os EUA. Ela virá acompanhada das graves doenças associadas, como o diabetes tipo 2 e os problemas cardiovasculares, um verdadeiro problema de saúde pública.
Os governos podem até ser impotentes para reverter a alteração no estilo de vida, mas sempre poderão dispor das armas do esclarecimento.
Sem recair em exageros autoritários, como proibir a propaganda de produtos alimentares tidos por prejudiciais à saúde, é na educação básica que se devem concentrar os esforços para oferecer aos cidadãos informações necessárias para que façam escolhas mais saudáveis em sua própria dieta e na de seus filhos.

Fonte: Folha de São Paulo – Editorial

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